terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Metade da Caatinga está devastada O único bioma considerado exclusivamente brasileiro mantém apenas metade de sua cobertura vegetal. A destruição da mata nativa se deve, principalmente, a produção de lenha e carvão vegetal e os estados campeões do desmatamento são Ceará e Bahia. Mônica Nunes Planeta Sustentável - 02/03/2010

Hoje, o ministro do Meio AmbienteCarlos Minc, divulgou os números do monitoramento do desmatamento da Caatinga, realizado entre 2002 e 2008, que apontam que metade de sua cobertura vegetal está devastada. Ele destacou sua preocupação com o índice elevado, já que essa é a região mais vulnerável àsmudanças climáticas, no País, com forte tendência à desertificação (amanhã, serão realizados, em Petrolina(PE) e Juazeiro(BA), encontros com governadores e secretários de meio ambiente, para tratar do Plano de Combate à Desertificação no Nordeste. O objetivo é amenizar os efeitos da desertificação no semi-árido brasileiro).
O bioma - considerado o único exclusivamente brasileiro – mantém apenas metade de sua cobertura vegetal original; em 2008, a vegetação remanescente da área era de 53,62%. De 2002 a 2008, foram devastados 16.576 km2, o equivalente a 2% de toda a Caatinga, sendo que a taxa de desmatamento, anual média, nesse período, ficou em torno de 0,33%, ou seja, 2 763 km². 

Sua área total é de 826.411 km² e abrange os estados da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Os dois estados campeões do desmatamento são a Bahia e o Ceará, que desmataram sozinhos a metade do índice registrado em todos os estados. Piauí e Pernambuco ficaram em 3º. e 4º. lugares no ranking, respectivamente. Situação grave também é registrada no estado de Alagoas, que possui apenas 10.673 km² dos 13.000 km² de área de caatinga originais. 

Levando em conta os municípios, os que mais desmataram foram: 
- Acopiara (CE) 
- Tauá (CE), 
- Bom Jesus da Lapa (BA), 
- Campo Formoso (BA), 
- Boa Viagem (CE), 
- Tucano (BA), 
- Mucugê (BA) e 
- Serra Talhada (PE). 
Os números detalhados podem ser pesquisados nos sites do MMA* e do Ibama*. 

MATRIZ ENERGÉTICA E PROJETOS POSSÍVEIS A principal causa da destruição da Caatinga é a extração da mata nativa, convertida em lenha e carvão vegetal destinados, principalmente, aos pólos gesseiro e cerâmico do Nordeste e ao setor siderúrgico de Minas Gerais e do Espírito Santo. O uso do carvão em indústrias de pequeno e médio porte e em residências também foi indicado, mas há outros fatores como biocombustíveis e pecuária bovina

Para Minc, é necessário repensar a matriz energética da Caatinga, incentivando os investimentos em energia eólicagás natural e pequenas centrais hidrelétricas, e destacou algumas ações de mitigação, como a recuperação de solos e micro-bacias, oreflorestamento e as linhas de crédito para combate à desertificação. 

O ministro destacou, também, que há outros projetos em estudo para a preservação do bioma. O Banco do Nordeste analisa a criação do Fundo Caatinga e o Banco do Brasil tem a intenção de implementar um Fundo contra a Desertificação

Cerca de R$500 milhões oriundos do Pré- Sal para o Fundo Clima, serão destinados ao Nordeste, pelo Ministério do Meio Ambiente. Já foram planejadas, pelo Ibama, 25 grandes operações de combate ao desmatamento e ao carvão vegetal ilegal na região, que devem ocorrer simultaneamente a partir deste mês. 

PLANO DE COMBATE AO DESMATAMENTO DA CAATINGA 
Como o padrão de desmatamento no bioma é pulverizado, as ações de combate à prática são muito difíceis, por isso, o monitoramento é imprescindível. Sem ele, torna-se impossível a elaboração de um plano de combate ao desmatamento e de mitigação dos efeitos desta prática. 

O monitoramento foi feito por 25 técnicos contratados pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e por analistas ambientais do MMA e do Ibama, que utilizaram como referência o mapa de cobertura vegetal do MMA/Probio (programa de levantamento da cobertura vegetal do Brasil que detectou as áreas de vegetação nativa e antropizadas até o ano de 2002), bem como imagens de satélite. 

Visando o incremento desse monitoramento, o Ibama anunciou que lançará o Plano de Combate ao Desmatamento na Caatinga - PPCaatinga, em 28 de abril, que, no futuro deve ser incorporado ao Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas. 

Carlos Minc, durante o encontro com os jornalistas, garantiu que o Ministério do Meio Ambiente pretende realizar o mapeamento e monitoramento dos cinco biomas brasileiros - Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata atlântica - até o final do ano. 




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